quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Um embate na sombra

sinto-me em crise quando me deparo com a realidade. Ontem depois de etiquetar o material todo da C, fui buscá-la. Esteve pouco mais que 3 quartos de hora no prolongamento da pré.
Mal me viu correu para mim, a fazer-me queixas... atropeladas, de queixo tremido.
A animadora disse-me que na hora de almoço, houve um incidente no exterior... Que foi para subir o escorrega e sentiu-se encurralada, que uma menina não a deixava passar. Berrou assustada e pelo que me parece, ficou com medo de ir para o parque....Cheguei precisamente na altura em que tentavam convence-la a ir para o exterior...
para não ir embora logo, decidi ir ao parque com ela para perceber o ambiente.
Caótico: apenas um equipamento pequeno para um monte de crianças, que se empurram, atropelam, que se pegam uns aos outros, passam à frente, sobem ao contrário, miúdas maiores a intimidar outras mais pequenas.
Com a minha falsa serenidade tentei que subisse a escada, mas a miúda nem conseguia chegar perto. Por fim conseguiu com umas pequenas intervenções minhas, mas estava cheia de medo de descer. Um menino gordinho apercebeu-se e incentivou-a, mas só a custo desceu.
Depois agarrou-me na não e à força quis sair dali.
No caminho dizia-me: porque me deste este nome???? porque os meninos não brincam comigo?
Eu: E a J? E o L? Só querem fazer as brincadeiras deles... E a D (educadora) obriga-me a fazer as coisas...
Sentia o coração estrangulado, mas ia respondendo de forma a acolher os sentimentos dela. Fomos buscar a mana. No caminho as mesmas perguntas.... Recebi um telefonema, tive que voltar à clinica tratar de um assunto. Quando aqui chegou e viu a avó, pôs-se aos gritos para eu contar o que se tinha passado, completamente desesperada, nervosíssima... Só depois de um bom bocado a consegui acalmar e que brincasse livremente.
Já cheguei tarde a casa, e senti-me no meio do caos. Casa desarrumada, jantar para fazer, banhos para dar, roupas para preparar.... E as dores de cabeça que não passam, tal a tensão.
Depois de deitadas, sentia-me esgotada e fui para a cama, pensar em tudo, no dia.
Acordei a meio da noite sem sono, embrulhada na minha própria sombra.
Ora a minha C tem um temperamento peculiar: não gosta de confusões, gosta de brincar sozinha e isola-se. Já aceito isso, só espero contribuir para lhe dar algumas ferramentas e recursos para a sua vida.
Ela é tão sensivel senhores! Uma situação destas abala-lhe logo a sua confiança. Tão insegura....
Sofro com isto! Provavelmente  protegi-a demais, sempre... É a minha menina tão desejada, que custou tanto a chegar ao meu colo....

5 comentários:

Maggie disse...

Oh Carla não tens culpa ela é assim e infelizmente acaba por sofrer por ser assim. Sei como é porque a minha Maria tbém é insegura, e fica logo a chorar e a nós custa-nos tanto ...

Beijinho

Maggie

Dina disse...

Olha o meu xande tb é mto inseguro e qualquer coisita chora logo. Dai que a adaptação dele tb tenha sido dificil, e queixava-se disto e daquilo. Este ano foi bem porque ja conhecia e a escola tem sido calma. Mas imagino que qdo for pra Primária vá ser tb complicado. TEns de ter paciência, e tu sabes bem como ir lidando com isso - tens as ferramentas.. É só uma fase vais ver q passa. Acabamos por sofrer ás vezes mais q eles .beijocas e força

Sentada na ponta da lua disse...

Como te compreendo... espero que rapidamente as coisas por aí melhorem. O meu pequeno tb não gosta de confusão e por isso embora mais longe escolhi uma escolinha mais pequena para ele. Finalmente já não chora para ficar no JI, mas chora na hora de ir para a cantina e não come! A juntar a isso está novamente a rejeitar o pai! Não é fácil todo este periódo de adaptação, mas temos que nos manter firmes pois afinal somos nós o porto seguro dos nossos filhos.
Bjinhos

Unknown disse...

Obrigada pelas palavras amigas. Hoje estou assim para baixo mas logo forças virão. Preciso de tempo, ela também! bjos

amigos das onze horas disse...

Todas as mães querem o melhor para os filhos, e saber que eles estão a passar por dificuldades deixa-nos sem norte. Espero que a adaptação sem fácil e rápida. Beijinhos